
O que as pessoas querem dizer quando falam que suas vidas têm sentido?
Embora os julgamentos de significado na vida sejam derivados principalmente de algumas percepções-chave, em um esforço para entender melhor o processo, estudiosos recentemente propuseram modelos tripartidos para o sentido da vida. A experiência de significado na vida é derivada de um senso de coerência, propósito e importância.
A coerência representa o quanto o indivíduo sente que os aspectos de sua vida se encaixam de forma compreensível. Propósito é a medida em que o indivíduo percebe sua vida como dirigida e motivada por objetivos valorizados. E finalmente, a importância existencial reflete “o grau em que os indivíduos sentem que sua existência é de significância, importância e valor no mundo”
Coerência, como observado acima, é ser capaz de conectar os pontos na vida de alguém e dar sentido a ela. Em vez de caóticas e não relacionadas, várias dimensões da vida de uma pessoa estão conectadas em estruturas significativas que ajudam a entender o que está acontecendo.
Propósito, por sua vez, é conectar as ações presentes com objetivos valiosos no futuro. Em vez de um monte de ações arbitrárias e desconexas, ter um propósito orientado para o futuro conecta essas ações a um todo significativo e proposital.
Importar é então sentir que a vida de alguém está conectada a algo maior. Ou seja, apesar da grandeza do universo, a vida de alguém de alguma forma se conecta e contribui para este mundo além de si mesmo. Em vez de inconsequente e isolada, a vida de alguém tem um papel a desempenhar no esquema maior das coisas.
Somado a esse tríplice da coerência, propósito e importância, assim como Frankl, os pesquisadores desse estudo também acreditam que apreciar as próprias experiências, representa outra contribuição fundamental para a experiência do significado da vida e conexão profunda.
Podemos dar vários sentidos para nossa vida ao longo dos anos, afinal é algo que não é eterno e nem imutável, pelo contrário, esses sentidos para nossa vida podem mudar com o passar dos anos e com a nossa mudança.
O sentido pode mudar e sempre deve ser atualizado. Algo que já foi fonte de sentido para sua vida em um determinado momento, pode deixar de ser. Isso acontece e tá tudo bem.
De acordo com Frankl, o sentido sempre é possível através da vivência dos valores:
– Valores criativos: as coisas que nós fazemos, o que você entrega ao mundo. Tudo que você põe a mão na massa. Trabalho, estudo, suas atividades, tudo que você faz são fontes potenciais de sentido. Podemos encontrar sentido fazendo as coisas, fazendo as atividades e assim vou criando algo.
– Valores de experiência: o que eu recebo do mundo, as experiências que você vivencia. Como as experiências com a natureza, com a estética, experiências artísticas, e principalmente as experiências com outras pessoas (relacionamentos).
– Valores de atitude: sempre é capaz de tomar uma atitude diante do seu sofrimento. E a partir daí dar um sentido até ao sofrimento.
Através das experiências, da criação e do sofrimento nós podemos encontrar sentidos para nossa vida.
Como afirma Frankl, “o homem não só encontra sentido na sua vida através de suas ações, suas obras e sua criatividade, mas também através de suas experiências”
É sobre a pessoa se sentir conectada ao momento presente e ser capaz de apreciar o valor dentro dele. Em vez de a vida de uma pessoa apenas passar sem intercorrências e trivialidades, ela se sente fortemente enraizada e presente em suas experiências e encontra valor nelas.
Referências:
– https://www.nature.com/articles/s41562-021-01283-6
– Livro Em Busca de Sentido (Viktor Frankl)