Qual a relação entre TEPT e Dor Crônica?


Um modelo conceitual de Co-Desenvolvimento e Manutenção Mútua dos Sintomas de Dor Crônica e TEPT.

Existem muitas pessoas vivendo com dor crônica no mundo e no Brasil, e o impacto em suas vidas pode ser profundo. Desde ser incapaz de trabalhar até achar as tarefas diárias muito desafiadoras. Lutar com a dificuldade da condição até o medo de não saber por que isso está acontecendo, sentir que não consegue mais lidar com o julgamento das pessoas ao seu redor, enfim, há muito motivos por que a dor crônica pode ter um impacto sobre a saúde mental.

Perceba como que a dor crônica e o TEPT- Transtorno de Estresse Pós-Traumático se relacionam.

O que é dor crônica?

A dor é considerada crônica quando ela dura ou é recorrente pelo menos durante três meses. Ela dura além do tempo normal que uma lesão leva para cicatrizar e pode se manifestar de várias formas. Algumas pessoas sofrem de dor crônica devido ao desgaste normal do corpo ou ao envelhecimento, outros têm dor crônica de vários tipos de câncer ou outras doenças crônicas. Em alguns casos, a dor crônica pode ser decorrente de uma lesão que ocorreu durante um acidente ou assalto. Mas algumas dores crônicas não têm explicação.

Quão comum é a dor crônica?

Segundo dados da OMS, 30% da população mundial sofre com alguma dor crônica. Já no cenário brasileiro, de acordo com um levantamento coordenado por pesquisadores ligados à Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), à Faculdade de Medicina do ABC e à Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor (SBED) conclui que a dor crônica afeta 37% dos brasileiros.

Como é fisicamente e psicologicamente a experiência da dor crônica?

Existem muitas formas de dor crônica, incluindo dor sentida: na região lombar (mais comum), o pescoço, a boca, rosto e mandíbula (ATM), a pélvis ou na cabeça (por exemplo, dores de cabeça tensionais e enxaqueca). Cada tipo de condição resulta em diferentes experiências de dor.

Pessoas com dor crônica podem ter prejuízos nas atividades do cotidiano como caminhar, ficar em pé, sentar, levantar objetos leves, ficar na fila do supermercado e até mesmo trabalhar. Sem contar que isso vai gerando mais ansiedade, angústia, raiva, piora no sono, falta de esperança, e o que por sua vez aumenta a tensão e a dor. Além disso, a dor crônica tem sido associada a taxas mais altas de depressão e ansiedade, bem como aumento do estresse e redução da qualidade de vida. As pessoas que sofrem de dor também podem se sentir isoladas e solitárias, o que contribui ainda mais para a depressão e estarem mais propensos ao abuso de álcool ou substâncias. Além disso, muitas pessoas que sofrem de dor crônica não conseguem se exercitar como deveriam e/ou gostariam. Essa falta de movimento contribui ainda mais para as dores musculares e corporais. Menos exercício pode piorar a dor crônica de várias maneiras, incluindo aumentar o risco de obesidade, o que torna os sintomas de dor mais graves.

Dor crônica e TEPT:

Além de muitos eventos traumáticos causarem lesões físicas dolorosas que levam à dor crônica, esses eventos também acabam afetando o emocional e os comportamentos dessa pessoa. Quanto maior a dor, maior a probabilidade de haver alguma lesão psicológica. Sobreviventes de abuso físico, psicológico ou sexual tendem a correr mais risco de desenvolver certos tipos de dor crônica mais tarde em suas vidas.

Além disso, a dor crônica acaba interferindo na qualidade do sono. Alterações no sono, também comuns em transtornos de estresse pós-traumático, geralmente são associadas a níveis mais altos de dor. O estresse também pode exacerbar os sintomas da dor crônica, como foi demonstrado em estudos que mostram que o estresse crônico é um fator de risco significativo para o desenvolvimento e a piora da dor crônica.

Outro ponto importantíssimo é que alguns sintomas de TEPT e TEPT-C podem causar dor; por exemplo, sintomas de hiperexcitação (sentir-se nervoso, tenso, ansioso, com medo do ambiente e “em guarda”) podem levar a dores musculares tensas que, por sua vez, podem se tornar crônicas. Essa ansiedade e hipervigilância que geralmente acompanham o TEPT podem aumentar a tensão que você coloca nos músculos e nas articulações em geral.

Níveis prolongados de cortisol desordenado de TEPT também podem esgotar suas glândulas suprarrenais, o que, por sua vez, aumenta o nível de prolactina e, portanto, aumenta sua sensibilidade à dor.

Tratamento:

O tratamento da dor crônica deve incluir não só medicamentos e terapia, mas também tratamento para transtornos mentais coexistentes, como depressão e TEPT. É importante que os profissionais de saúde forneçam suporte emocional e técnico, além de atenção individualizada para garantir que todos os aspectos da saúde mental sejam tratados.

O tratamento da dor crônica e do TEPT frequentemente se sobrepõem. Muitos dos medicamentos usados para tratar a dor crônica, como antidepressivos tricíclicos e opioides, também são prescritos para alívio dos sintomas do TEPT. Além disso, terapias como terapia cognitivo-comportamental e terapia de exposição são usadas para tratar tanto dor crônica quanto transtorno de estresse pós-traumático.

Dentro da abordagem multidisciplinar, pode haver muitas técnicas potenciais utilizadas, tais como:

– Terapia cognitivo-comportamental.

– Atenção plena

– Técnicas de respiração para ajudar na regulação emocional

– Medicamentos

Vale lembrar que se um paciente está sofrendo de estresse crônico, ansiedade ou depressão, é provável que amplifique os sintomas de dor. 

Referências:

https://www.ptsd.va.gov/

https://coloradopaincare.com/post-traumatic-stress-disorder-and-chronic-pain/

https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/31781875/

https://www.ptsduk.org/chronic-pain-ptsd/

https://www.psychiatrictimes.com/view/exploring-relationship-between-posttraumatic-stress-chronic-pain

https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/11497210/


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