TEPT – Transtorno de Estresse Pós-Traumático


“Ninguém precisa ter combatido no front ou visitado um campo de refugiados na Síria ou no Afonso para se ver diante do trauma. Acontece com a gente, com nossos amigos, parentes e vizinhos.” – Bessel Van Der Kolk

Afinal, tanto o TEPT quanto o TEPT-C podem ocorrer devindos de violência física, sexual, moral, negligência, maus tratos e abandono. Sendo o Transtorno de Estresse Pós-Traumático Complexo caracterizado por contextos prolongados de trauma, tais como: violência doméstica prolongada, violência física, moral e/ou sexual prolongado na infância, prisões de guerra, etc.

“Experiências traumática deixam marcas, seja em grande escala(na história dos países e nas culturas), seja em nossos lares e famílias, com seus segredos tenebrosos que passam de um geração a outra. Também imprimem marcas na mente, nas emoções, na capacidade de desfrutar de alegrias e prazeres, e até no sistema biológico e imunológico.” – Bessel Van Der Kolk

O trauma afeta não só as pessoas que o sofreram diretamente como também as que as rodeiam. Uma experiências traumática pode se reativar ao menor sinal de perigo, mesmo muito tempo depois de ela ter acontecido, mobilizando circuitos cerebrais prejudicados e produzindo uma quantidade absurda de hormônios do estresse. Surgem então emoções desagradáveis, sensações físicas intensas e ações impulsivas e agressivas. Tais reações pós-traumáticas se mostram incompreensíveis e avassaladoras. Sentindo-se descontroladas, com frequência as pessoas acreditam sofrer de lesões profundas e irreversíveis.

É evidente que ainda estamos a anos-luz desse conhecimento minúsculos, mas três novas áreas científicas permitiram uma explosão de informações sobre os efeitos do trauma psicológico, dos maus tratos e da negligência. Essas disciplinas recentes são a Neurociência, que estuda como o cérebro respalda os processos mentais; a Psicopatologia do desenvolvimento, dedicada ao impacto de experiências adversas sobre o desenvolvimento da mente e do cérebro; e a Neurobiologia pessoal, voltada para a influência do nosso comportamento sobre emoções, a biologia e a mentalidade das pessoas com quem convivemos.

O trauma provoca mudanças fisiológicas reais, entre as quais a reconfiguração do sistema de alarme do cérebro, o aumento da atividade de hormônios do estresse e alterações no sistema que separa as informações importantes das irrelevantes. Essas mudanças explicam por que pessoas traumatizadas se tornam hipervigilantes em relação a ameaças, mesmo que isso venha a prejudicar a espontaneidade em sua rotina diária. Por que as vítimas passam repetidas vezes pelos mesmos problemas e têm tanta dificuldade de arrepender com a experiência. Sabemos agora que essas condutas não decorrem de deficiência moral nem indicam pouca força de vontade ou má índole – mas são produtos de mudanças reais no cérebro.

Essa expansão de conhecimento dos processos básicos que definem o trauma também abriu novas possibilidades para atenuar ou até reverter o dano. Com base na neuroplasticidade natural do cérebro, como as pessoas poderiam administrar os resquícios de traumas e voltar a ter mais controle sobre a própria vida? Em essência, são três os caminhos:

  • De cima pra baixo: através da conversa, refazendo o contato com outra pessoas e nos permitindo conhecer e compreender o que está acontecendo conosco, ao mesmo tempo que as lembranças do trauma são processadas.
  • Uso de medicamentos: que possam impedir ou amortecer reações de alarme impróprias, ou utilização de outras tecnologias que alteram o modo como o cérebro organiza as informações.
  • De baixo pra cima: permitindo que o corpo tenha experiências que respondam de maneira profunda e visceral à impotência, à raiva ou ao colapso resultante do trauma.

Referência:

– Livro O corpo guarda as marcas – Cérebro, Mente e Corpo na cura do trauma (Bessel van Der Kolk).


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