À medida que a ansiedade e o estresse ascendem, desencadeia-se uma alteração neuroquímica que pode culminar em crises de ansiedade e ataques de pânico. Nesse cenário, dois protagonistas fundamentais emergem: a Amígdala e o Córtex Pré-frontal (CPF). A amígdala, localizada em ambos os hemisférios cerebrais, desempenha um papel crucial no processamento emocional, especialmente na detecção e avaliação de ameaças.
Em indivíduos afetados por transtornos de ansiedade e Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT), a amígdala assume uma hiperatividade alarmante. Essa ativação excessiva desencadeia uma metamorfose no corpo, preparando-o para reações de luta ou fuga de maneira exacerbada.
O Sistema Nervoso Simpático (SNS) assume o controle, acionando respostas automáticas de luta ou fuga em situações de perigo ou estresse. A amígdala ativa o SNS, preparando o corpo para a ação ao aumentar a frequência cardíaca, dilatar as vias respiratórias, liberar hormônios do estresse (Cortisol e Adrenalina) e redistribuir o fluxo sanguíneo para pernas e braços. Essas mudanças fisiológicas ocorrem para capacitar a enfrentar eventos estressantes ou perigosos.
Mas como a ansiedade e a depressão estão relacionadas à dor corporal?
Em condições normais, os níveis de cortisol e adrenalina diminuem rapidamente após a resposta de luta ou fuga, permitindo que a vida siga seu curso. Contudo, em indivíduos ansiosos, depressivos e com TEPT a ativação crônica desse estado, resultado da desregulação da amígdala, mantém o corpo em alerta de forma prolongada e crônica, mesmo diante de ameaças imaginárias.
Os transtornos de ansiedade e o TEPT elevam consideravelmente a tensão muscular, uma vez que demandam a contração constante de vários músculos e membros do corpo como parte da preparação para as mudanças fisiológicas do sistema de luta ou fuga. Isso ocorre de maneira automática, contribuindo para a geração de dor, muitas vezes sem consciência por parte do indivíduo.
E qual é o papel do CPF nessa narrativa?
O Córtex Pré-frontal, essencial para controlar a atividade da amígdala, atua como um moderador indicando quando a amígdala deve disparar toda essa descarga, e assim, ativando o sistema de luta ou fuga diante de uma ameaça detectada no ambiente.

Quanto à dor no estômago e à gastrite, ambas são complexas e multifatoriais. Entre os diversos fatores que contribuem para os sintomas da gastrite, destaca-se o componente psicológico da ansiedade. Durante a resposta de luta ou fuga, há uma diminuição do fluxo sanguíneo para o estômago, reduzindo a produção do muco que protege sua parede contra o ácido digestivo. Em um ciclo vicioso, o aumento do estresse e ansiedade resulta em uma diminuição adicional do muco, deixando o estômago desprotegido contra o ácido endógeno, propenso a lesões e inflamações que podem culminar em doenças gastrointestinais, como a gastrite.
Portanto, um tratamento eficaz, conduzido por profissionais qualificados, como psicólogos, não apenas auxilia na regulação da ansiedade, reduzindo as preocupações associadas a esse estado, mas também melhora significativamente a qualidade de vida, aliviando as dores musculares e estomacais decorrentes da ansiedade e do estresse.
Referência:
Livro – Neurociências: desvendando o sistema nervoso