Conquiste mais autonomia sobre sua vida adotando hábitos que visam promover saúde para seu organismo (corpo/cérebro).


Por que eu tanto falo sobre os fatores de proteção, formação de hábitos e mostro um pouco da minha rotina colocando em prática o que tanto estudo e ensino aqui para vocês?

Justamente com o intuito de criar e manter a saúde, afinal é melhor do que tratar a doença/transtorno. E mais barata também. A ideia é usar do meu conteúdo e exemplo como moduladores ambientais para a prevenção ao invés da cura.
Afinal, através da prevenção primária: ação tomada para evitar um problema de saúde antes que ele ocorra, por exemplo, a psicoeducação e orientação de praticar exercício físicos, fazer a higiene do sono, o manejo do estresse, entre outros, para reduzir as chances de diversos transtornos de humor e doenças neurodegenerativas, por exemplo. Além das doenças relacionadas com saúde física. Uma vez que saúde é uma coisa só: o que afeta o corpo, afeta o cérebro e vice-versa.


O interessante é que essa prevenção primária tem o poder de transformar sua saúde e de toda a sociedade. Quanto mais pessoas modulando seus comportamentos para formar hábitos baseados nos fatores de proteção, e evidenciando isso em suas redes sociais e conversas, maiores são as chances desses comportamentos e estilo de vida virar “febre” e assim modulando o comportamento de todo um grupo, população e sociedade. Aliás, isso já acontece, seja de uma forma consciente ou não, todos nós temos nossos comportamentos modulados por aqueles que nos relacionamos, tanto no ambiente físico quanto no virtual. Mas a ideia aqui é mirar, visar e modular de forma consciente e intencional nos hábitos saudáveis / fatores de proteção.


Você sabia que existe a capacidade de você modular seus genes por meio do ambiente? Mas isso depende de suas escolhas! Pois uma coisa a ciência já tem certeza, que a interação dos genes com o meio ambiente é capaz de silenciar ou potencializar muitos daqueles relacionados a doenças. Através da epigenética, algo que está acima da genética, que é a capacidade que o ambiente tem de modificar genes, tanto para o bem quanto para o mal. Por isso que gêmeos univitelinos, ainda que compartilhem o mesmo DNA, têm históricos médicos diferentes.


E quanto cito ambiente me refiro a tudo que existe nele, como o local onde você mora, se você recebeu os devidos cuidados maternos na primeira infância, o que você come, quantas horas dorme, seus traumas, as pessoas com quem se relaciona, a maneira como encara seus problemas e a vida, entre outros, podem determinar 70% ou mais das doenças que você vai manifestar ao longo da vida. Portanto, saiba que seus hábitos influenciam na expressão dos seus genes.


Como diz o geneticista inglês Moshe Szyf, da Universidade McGill (Canadá), um dos pioneiros no estudo da epigenética no mundo:
“O avanço no conhecimento sobre a relação entre o ambiente e o genoma ajuda a combater o determinismo genético, ou seja, aquela ideia de que, se você nasce com genes saudáveis, você será saudável, não importando o que você faça a respeito. Isso coloca mais peso em nossas escolhas. Mostra que temos controle enquanto pais, enquanto formuladores de políticas públicas e enquanto sociedade.


Por fim, o maior desafio é encontrar formas de intervir antes que os sinais clínicos apareçam e a situação fique ainda pior. Por isso, é tão importante entender o que torna as pessoas vulneráveis. E dessa forma, através de conhecimento baseado em evidências científicas possamos guiar melhor nossa prática quanto ao tipo de intervenção para cada pessoa. Onde a psicoterapia se formata como uma prática super indicada e eficiente para todos nós.

Referências:
Livro Medicina do Amanhã – Dr. Pedro Schestatsky

  • https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/10848141/